Apesar de ter superado as metas propostas pelo Governo para 2009, os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), o ex-ministro da Educação, senador Cristovam Buarque (PDT-DF) considerou o resultado "trágico", contrastando com o otimismo apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
-O papel do presidente é trazer otimismo, diferente do papel de quem analisa com cuidado o assunto. Mesmo porque, essa melhora é muito menor do que a melhora verificada nos outros países. Então, mesmo avançando esse pouquinho de nada, estamos ficando para trás em relação às exigências crescentes da educação. Há 20 anos, esse resultado poderia ser ótimo. Hoje, ele é trágico, porque se exige muito mais formação.
Na opinião do senador, os indicadores não são fiéis à realidade da educação no país.
Sem meias palavras, Buarque usa os adjetivos "vergonhosa" e "lamentável" para classificar a educação no país.
- Vivemos um risco para o futuro do Brasil. O futuro de qualquer nação depende do conhecimento. Antes, dependia de recursos naturais, de capital. Hoje, depende do conhecimento. Nós caminhamos para um abismo por conta da ausência de conhecimentos, enquanto os outros países, cada vez mais, têm conhecimento. E não adianta dizer que vamos investir na universidade. Universidade sem ensino médio de qualidade não presta. Nunca vai ser boa. O sistema universitário depende diretamente do Ensino Médio. Não é possível resolver o telhado sem resolver a base.
De acordo com o ex-ministro da Educação, o caminho é fazer uma "revolução" no ensino.
- Essa revolução significa ter o professor ganhando muito bem, desde que muito bem dedicado e preparado, em escolas bonitas, bem equipadas e de horário integral. Isso não se pode fazer de um dia para o outro. Nem há professores disponíveis. O caminho é fazer o salto em um, dois anos, por cidade. O Brasil vai levar 20 anos para dar o salto, mas em cidades, sobretudo, de porte médio e pequeno, é possível fazer isso em dois anos.
A proposta é criar a carreira nacional do magistério. Contrata 100 mil professores. Não dá mais de 100 mil, porque o Brasil não tem mais de 100 mil jovens capazes de serem professores com alta qualificação. Concentra os 100 mil em 250 municípios de porte médio. Essas 250 cidades têm em média 10 mil escolas e matriculariam nelas 3 milhões alunos. No ano seguinte, mais 100 mil professores, mais 250 municípios, mais três milhões de crianças. O resto do país continuaria crescendo nessa lentidão que nós vemos, mas essas cidades dariam o salto e, daqui a 20 anos, isso chegaria em todo o Brasil.
Pode ser que eu não mude o Brasil, mas estou tentando. Despierta Brasil!


